
Acabei de ler o livro “Clube das Chocólatras” e, mais uma vez, me deparei com um tipo de amizade que eu gostaria de ter: Mulheres que se ajudam, se completam…
Invejo esse tipo de amizade! Invejo porque não sei se um dia tive algo assim. Tive ótimos momentos com diversas amigas, mas a partir do momento em que elas conseguiam o que queriam, elas seguiam um caminho diferente do meu. Não sei se estou ficando mais xiita que o normal, mas não consigo olhar ao meu redor e sentir que tenho realmente uma amiga com quem contar. Não sei… Posso até ter…
O que mais me deprime, e já falei aqui diversas vezes, é que ninguém nunca tem tempo para fazer algo que EU queira fazer. Nos últimos anos tenho percebido isso muito claramente. Em como estou sempre à disposição das minhas amigas para ajudá-las, ouvi-las, fazer companhia, etc., mas quando chega minha vez, as desculpas são inúmeras: falta de dinheiro, não gosto disso, não gosto daquilo… Daí, eu sempre as testo: “bom, pago a sua…”. E a resposta é sempre: “Então, vamos!”. Alguém conhece alguma agência que eu possa contratar amigas assim como se paga por um garoto de programa. Não? Taí, um nicho de mercado a se investir.
Sempre fui muito reservada com relação a minha vida particular, mas um determinado momento que precisei de um ombro amigo, ouvi: “Por que você não procura um psicólogo?”. Quando procurei outra amiga, ela simplesmente torceu a boca, revirou os olhinhos e desconversou. Pensei: “Acho que vou trocar minhas amigas por um bom psicólogo e um Nintendo Wii”. Simplesmente, me tornei expert na arte de evitar pessoas e confesso que, atualmente, receio iniciar novas amizades. As amizades estão cada vez mais líquidas, contábeis e quem paga mais leva.
Fico triste, pois gostaria muito de poder pegar o telefone e convidar alguém para sair sem ouvir: “Não gosto desse tipo de filme/musica ou que quer que seja”. Engraçado, que essas mesmas pessoas que dizem não gostar disso ou daquilo, geralmente frequenta esses mesmos lugares que convido, sem minha aborrecida companhia, lógico. Vai ver que o problema sou eu. Não devo ser divertida o suficiente para essas pessoas ou somente divertida quando elas não tem ninguém para sair.
Fiquei muito tempo me divertindo sozinha: cinema, shows, ensaios de bandas, compras… E confesso que foi uma experiência muito boa. Engraçado era encontrá-las. Faziam aquela cara de espanto: “Tá sozinha? Porque não me chamou?”. Bom, pensava com meus botões, por que provavelmente você diria que não gosta do gênero do filme ou estava sem dinheiro.
Fiz novas amizades, conheci pessoas bacanas e nada mudou.
Estou cada vez mais descrente.

Achei esse poema do Fernando Pessoa no blog Bruxa de Blu e amei:
“Quero ser o teu amigo.
Nem demais e nem de menos.
Nem tão longe e nem tão perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso: é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo de acertar nossas distâncias. “